Como fã de H. P. Lovecraft, além de sempre querer votar no Cthulhu nas eleções presidenciais, eu leio e assisto todos os filmes baseados em seus contos. E não são poucos. Pra quem está familiarizado com os nomes Cthulhu e Lovecraft, mas não se lembra bem do que se trata, ou até mesmo não conhece, vou explicar:
- Cthulhu: da espécie dos polvos infernais gigantescos, afiliado do partido dos muito, muito antigos, e dos muito, muito maus;
- Howard Phillips Lovecraft, da espécie dos escritores de terror e ficção científica mais prolíficos do século XX, que criou mitologias e lugares, vindos de uma imaginação muito, muito fértil, onde só havia espaço para monstros bizarros e cientistas malucos.
A lista de filmes, quadrinhos, rpg e outros baseados em Lovecraft e suas criações é extensa. Alguns roteiros são baseados em suas obras, sendo modernizados, como é o caso de Re-Animator e suas sequências, e The Evil Dead e suas sequências (este último não é um conto dele, e sim uma história onde o livro Necronomicon é citado de forma livre). Ah, Necronomicon é mais uma criação de Lovecraft. Escrito a sangue pelo árabe maluco Abdul Alhazred, contém os nomes infernais, e quem o lê, fica maluquinho de pedra.
Lovecraft nasceu em Providence, Rhode Island no dia 20 de Agosto de 1890, e era uma pessoa muito conservadora, e como ele nasceu em Rhode Island que é um dos estados da Nova Inglaterra, era um anglófilo, e em seus textos costumava usar um vocabulário e ortografia britânicos, por isso seus contos tem aquela aura de gótico inglês.
Lovecraft foi um jovem prodígio criado por sua mãe, tias e avô, este último que incentivava seus hábitos de leitura, inclusive de clássicos de horror góticos. Tinha muitos problemas de saúde, não podendo frequentar a escola, e sofria de poiquilotermia, uma doença que faz com que a pele esteja sempre gelada. Após a morte de seu avô, a família ficou em estado de pobreza devido a incapacidade das tias de Lovecraft de gerenciar os negócios da família, e acabaram sendo obrigados a se mudarem para lugares que não ajudavam muito a frágil saúde do jovem Lovecraft. Um colapso nervoso ocorrido em 1908 fez com que Lovecraft fosse impedido de receber seu diploma de graduação do ensino médio, e por isso ele não conseguiu fazer o ensino superior, e com isso o resto de sua vida foi marcado.
Lovecraft conheceu, por intermédio do seu trabalho como jornalista, Sonia Greene, uma imigrante da Ucrânia, de origem judaica e oito anos mais velha que ele, com quem se casou, gerando protestos por parte de sua família. Foram morar no Brooklin, Nova York. Lovecraft não gostava do bairro, e pelo jeito nem da esposa, já que em poucos anos se divorciaram, e ele voltou a sua cidade natal, morando lá até sua morte.
Seus trabalhos eram constantemente baseados em seus pesadelos. Suas maiores influências foram Edgar Allan Poe (mestre supremo e imbatível até para mim) e Lord Dunsany. Lovecraft constantemente escrevia sobre os seres abissais, criaturas que dominavam a terra muito antes das primeiras civilizações e suas divindades aparecerem, criaturas essas que compõem os chamados “Mitos do Cthulhu”.
Tive contato com Lovecraft pela primeira vez por volta dos nove anos de idade. Eu e uma amiga adorávamos histórias de horror, fantástico, bruxas, vampiros, e o pai dessa amiga colecionava artigos de terror, em especial uma revista que me marcou, chamada Kripta, que reunia contos de horror de escritores famosos não tão famosos. Era em formato HQ, o que deixava a leitura muito interessante. Primeiro conto que li foi Vento Frio, escrita em 1926, e conta a história de um homem que vai morar em uma pensão, que, incomodado com barulhos do seu vizinho de cima, acaba em curiosidade para descobrir o que acontecia de tão estranho, e tão gelado em seu quarto (esse conto foi adaptado para o cinema, e está no filme Necronomicon.
Vale a pena conhecer a obra de Lovecraft, nem que seja apenas através dos filmes. Seus livros são razoavelmente fáceis de encontrar em qualquer livraria: a L&PM possui 2 titulos (O Caso de Charles Dexter Ward, seu único romance, e A Tumba e Outras Histórias, uma coletânea de contos). Também a editora Francisco Alves tem alguns títulos, como “Um Sussurro nas Trevas” e “A Casa das Bruxas“, também duas coletâneas de contos . Já a Editora Iluminuras tem uma lista um pouco mais extensa (e com preços mais salgados), com títulos como “Nas Montanhas da Loucura“, “Dagon“, “Horror em Red Hook“, “A Cor Que Caiu do Céu“, “A Maldição de Sarnath“, “A Procura de Kadath“. Para quem gosta dos pockets, a editora Hedra tem três títulos: “A Sombra de Innsmouth” e “O Chamado do Cthulhu e outros contos” e “Um Sussurro nas Trevas“. Todos são fáceis de se encontrar nas livrarias famosas, menos os da Ed. Francisco Alves. Os preços não são muito doces, mas em sebos (para as traças de sebo como eu), encontram-se a valores bons. Recomendo os da Ed. Hedra, que sempre tem uma introdução interessante e bem feita em seus livros, uma boa tradução, um formato legal e preços bons.
Lovecraft é referência de terror por seus contos serem atuais, mesmo tendo sido escritos no começo do século 20. Influenciou a literatura, de Stephen King a Clive Barker, o cinema, onde tanto King quanto Barker também se encaixam, a música (bandas como a gótica Without Face, a queridinha hype stoner Electric Wizard até a música Call of Ktulu, do Metallica), videogames, até os role-playing games e humor como o Hello Cthulhu e o Vote Cthulhu e o, tudo isso girando em torno da mente fantástica desse, com o perdão do trocadilho, monstro da literatura. E nós, fãs, esperamos que o chamado do Cthulhu nunca se cale.










Impossível não se comover com Emma Bovary. Antes de ler, aimpressão que temos de Mme. Bovary é que ela é uma tremenda sem-vergonha, e que passa a história toda se deleitando em orgias intermináveis, e é de fato o contrário disso que acontece.

