Howard Phillips Lovecraft

Como fã de H. P. Lovecraft, além de sempre querer votar no Cthulhu nas eleções presidenciais, eu leio e assisto todos os filmes baseados em seus contos. E não são poucos. Pra quem está familiarizado com os nomes Cthulhu e Lovecraft, mas não se lembra bem do que se trata, ou até mesmo não conhece, vou explicar:

- Cthulhu: da espécie dos polvos infernais gigantescos, afiliado do partido dos muito, muito antigos, e dos muito, muito maus;

- Howard Phillips Lovecraft, da espécie dos escritores de terror e ficção científica mais prolíficos do século XX, que criou mitologias e lugares, vindos de uma imaginação muito, muito fértil, onde só havia espaço para monstros bizarros e cientistas malucos.

A lista de filmes, quadrinhos, rpg e outros baseados em Lovecraft e suas criações é extensa. Alguns roteiros são baseados em suas obras, sendo modernizados, como é o caso de Re-Animator e suas sequências, e The Evil Dead e suas sequências (este último não é um conto dele, e sim uma história onde o livro Necronomicon é citado de forma livre). Ah, Necronomicon é mais uma criação de Lovecraft. Escrito a sangue pelo árabe maluco Abdul Alhazred, contém os nomes infernais, e quem o lê, fica maluquinho de pedra.

Lovecraft nasceu em Providence, Rhode Island no dia 20 de Agosto de 1890, e era uma pessoa muito conservadora, e como ele nasceu em Rhode Island que é um dos estados da Nova Inglaterra, era um anglófilo, e em seus textos costumava usar um vocabulário e ortografia britânicos, por isso seus contos tem aquela aura de gótico inglês.

Lovecraft foi um jovem prodígio criado por sua mãe, tias e avô, este último que incentivava seus hábitos de leitura, inclusive de clássicos de horror góticos. Tinha muitos problemas de saúde, não podendo frequentar a escola, e sofria de poiquilotermia, uma doença que faz com que a pele esteja sempre gelada. Após a morte de seu avô, a família ficou em estado de pobreza devido a incapacidade das tias de Lovecraft de gerenciar os negócios da família, e acabaram sendo obrigados a se mudarem para lugares que não ajudavam muito a frágil saúde do jovem Lovecraft. Um colapso nervoso ocorrido em 1908 fez com que Lovecraft fosse impedido de receber seu diploma de graduação do ensino médio, e por isso ele não conseguiu fazer o ensino superior, e com isso o resto de sua vida foi marcado.

Lovecraft conheceu, por intermédio do seu trabalho como jornalista, Sonia Greene, uma imigrante da Ucrânia, de origem judaica e oito anos mais velha que ele, com quem se casou, gerando protestos por parte de sua família. Foram morar no Brooklin, Nova York. Lovecraft não gostava do bairro, e pelo jeito nem da esposa, já que em poucos anos se divorciaram, e ele voltou a sua cidade natal, morando lá até sua morte.

Seus trabalhos eram constantemente baseados em seus pesadelos. Suas maiores influências foram Edgar Allan Poe (mestre supremo e imbatível até para mim) e Lord Dunsany. Lovecraft constantemente escrevia sobre os seres abissais, criaturas que dominavam a terra muito antes das primeiras civilizações e suas divindades aparecerem, criaturas essas que compõem os chamados “Mitos do Cthulhu”.

Tive contato com Lovecraft pela primeira vez por volta dos nove anos de idade. Eu e uma amiga adorávamos histórias de horror, fantástico, bruxas, vampiros, e o pai dessa amiga colecionava artigos de terror, em especial uma revista que me marcou, chamada Kripta, que reunia contos de horror de escritores famosos não tão famosos. Era em formato HQ, o que deixava a leitura muito interessante. Primeiro conto que li foi Vento Frio, escrita em 1926, e conta a história de um homem que vai morar em uma pensão, que, incomodado com barulhos do seu vizinho de cima, acaba em curiosidade para descobrir o que acontecia de tão estranho, e tão gelado em seu quarto (esse conto foi adaptado para o cinema, e está no filme Necronomicon.

Vale a pena conhecer a obra de Lovecraft, nem que seja apenas através dos filmes. Seus livros são razoavelmente fáceis de encontrar em qualquer livraria: a L&PM possui 2 titulos (O Caso de Charles Dexter Ward, seu único romance, e A Tumba e Outras Histórias, uma coletânea de contos). Também a editora Francisco Alves tem alguns títulos, como “Um Sussurro nas Trevas” e “A Casa das Bruxas“, também duas coletâneas de contos . Já a Editora Iluminuras tem uma lista um pouco mais extensa (e com preços mais salgados), com títulos como “Nas Montanhas da Loucura“, “Dagon“, “Horror em Red Hook“, “A Cor Que Caiu do Céu“, “A Maldição de Sarnath“, “A Procura de Kadath“. Para quem gosta dos pockets, a editora Hedra tem três títulos: “A Sombra de Innsmouth” e “O Chamado do Cthulhu e outros contos” e “Um Sussurro nas Trevas“. Todos são fáceis de se encontrar nas livrarias famosas, menos os da Ed. Francisco Alves. Os preços não são muito doces, mas em sebos (para as traças de sebo como eu), encontram-se a valores bons. Recomendo os da Ed. Hedra, que sempre tem uma introdução interessante e bem feita em seus livros, uma boa tradução, um formato legal e preços bons.

Lovecraft é referência de terror por seus contos serem atuais, mesmo tendo sido escritos no começo do século 20.  Influenciou a literatura, de Stephen King a Clive Barker, o cinema, onde tanto King quanto Barker também se encaixam, a música (bandas como a gótica Without Face, a queridinha hype stoner Electric Wizard até a música Call of Ktulu, do Metallica), videogames, até os role-playing games e humor como o Hello Cthulhu e o Vote Cthulhu e o, tudo isso girando em torno da mente fantástica desse, com o perdão do trocadilho, monstro da literatura. E nós, fãs, esperamos que o chamado do Cthulhu nunca se cale.


Tim Burton

Um dos ídolos supremos de emos, neogóticos, headbangers, freaks e por ai vai, sua aparência é um misto de Sonho (Sandman), com Robert Smith (The Cure), o que quase não chama deve chamar atenção.

Em seus filmes está sempre presente uma aura gótica, macabra, com elementos de terror, meninas esquisitas, escuridão, fantasmas e esqueletos. Burton foi um jovem recluso que gostava de desenhar e assistir filmes antigos. Cursou Instituto de Artes da Califórnia, e começou sua carreira trabalhando para a Disney em filmes mainstream que não o agradaram pois sentia diferenças criativas entre ele e seus colegas. Com isso a produtora o deixou trabalhar em um projeto próprio, o curta Vincent, inspirado e narrado por seu ídolo, com quem veio a trabalhar em Edward Scissorhands, Vincent Price. Depois veio com outro curta, Frankenweenie, inapropriado para crianças, previsto para lançamento em longa-metragem em 2012.

Com isso, Paul Reubens (ou, Pee-Wee Herman) decidiu que Burton dirigiria seu filme, As Aventuras de Pee-Wee, um tremendo sucesso, trazendo popularidade para Burton.

Beetlejuice, o fantasma esquisito das calças listradas, foi oferecido a Burton, mais um sucesso e com isso veio a solidificação de sua carreira em Hollywood e o começo de uma breve parceria com Michael Keaton, com quem veio a trabalhar em Batman, o maior sucesso de bilheteria do ano de 1989 e a carta branca para fazer o que bem entendesse.
Em seguida, seu maior sucesso, Edward Mãos de Tesoura e o início de sua parceria com Johnny Depp. Sucesso absoluto até hoje e o mais delicado, artístico e profundo trabalho de Burton.

Batman – O Retorno, que veio em seguida, com Keaton no elenco, mais obscuro que seu predecessor e prova da liberdade que Burton havia conseguido, mas não deixou a Warner Bros satisfeita e nem o público em geral. Enquanto o filmava, produziu O Estranho Mundo de Jack, dirigido por Henry Selick (o mesmo de Coraline). Engraçado que muita gente acredita que a terra do Halloween eterno foi dirigido por Burton.
Depois, Burton decidiu homenagear seu diretor preferido, o charlatão e ídolo dos fãs de filmes B de baixo orçamento, Ed Wood. Desastre de bilheterias, sucesso entre os fãs tanto de Burton quando de Wood, e que só alcançou status de cult há poucos anos.

Em Marte Ataca! não vemos os elementos ‘burtonescos’, assim como em Planeta dos Macacos. Mas Planeta dos Macacos ainda conseguiu críticas favoráveis e obteve mais sucesso de bilheterias, fazendo com que Burton voltasse às suas esquisitices, para nosso deleite. Neste último, Burton conheceu a também esquisitinha Helena Bonham-Carter, com quem vive até hoje, tem dois filhos e uma nova parceria nos papéis estranhos.
Burton retornou com seu estilo em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, Johnny Depp novamente, sucesso absoluto e redenção do péssimo Marte Ataca! [Curiosidade: Christopher Walken interpreta o Cavaleiro Sem Cabeça, e é um professor de literatura no filme A Hora da Zona Morta, baseado em um livrohomônimo de Stephen King, onde menciona o Cavaleiro em uma aula ;) ]

Em seguida, o fofinho Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, talvez mais convencional, colorido, e até feliz de sua filmografia, com ótimas críticas, mas fãs desapontados (particularmente, adoro) por não ser sombrio e gótico (gente, deixem o doom de lado, cor e felicidade é LEGAL, ok?).

O remake de A Fantástica Fábrica de Chocolate divide opiniões. Mais Johnny Depp, excêntrico como sempre, mais cenários em vez de chroma-key, explosão de cores, fãs xiitas do original reclamando, fãs xiitas de Burton venerando, indicação de melhor figurino nos Academy Awards e U$207 milhões de bilheteria nos EUA. Acho que é ponto para o Burton.

Seu primeiro stop-motion como diretor, A Noiva Cadáver, foi feito especialmente para sua esposa, e conta com ela e Johnny Depp na dublagem. Dispensa comentários.

Sweeney Todd. Johnny Depp. Bonhan-Carter. Musical. Irônico. Divertido. Helena indicada ao Globo de Ouro, Depp indicado ao Oscar como melhor ator, ganhador do Globo de melhor ator em Musical/Comédia, do MTV Awards de melhor vilão. E um banho de sangue. O mais violento filme de Burton, o que surpreendeu bastante, pois, apesar da aura de macabro, seus filmes não continham tanta violência, sangue e morte levada mais à sério.

O que dizer que Alice No País das Maravilhas? Johnny Depp. Helena Bonhan Carter. Ok, disso a gente nunca se cansa. Uma Alice adolescente volta ao País das Maravilhas, mudado, ainda mais esquisito, e Burton se rendendo à animação gráfica. Sucesso de bilheteria, opiniões divididas, e uma possível jornada à Broadway. Vamos ver no que vai dar.

Burton também produziu a animação gráfica de ficção científica com robôzinhos feitos de pano, 9, que foi baseada em um curta-metragem, onde o bonequinho de pano (9) acorda em um mundo pós-apocalíptico e tem o poder de salvar a humanidade. Promete? Ainda não vi, mas o trailer é bem legal!

Burton também sempre trabalha com Danny Elfman, o ruivo esquisito da extinta banda Oingo Boingo. Elfman também dublou Jack Skellington, e não fez a trilha de Ed Wood porque os dois estavam em crise de relacionamento (quem fez foi Howard Shore, parceiro de Cronenberg e Peter Jackson e que argh, fez a trilha de Eclipse).

Fora seu trabalho no cinema, Burton também escreveu um livro, O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias, com poesia, ilustrações e humor negro, óbvio, meio difícil de encontrar, mas bem bonitinho, e que apesar de infantil, contém violência familiar, adultério, suicídio e nenhum final feliz.

Suas marcas registradas são o uso de Natal e Halloween, personagens (muito) excêntricos, roupas listradas, árvores retorcidas e casas, portas e janelas com ângulos inusitados. Burton adora palhaços, Bollywood, só se veste de preto porque tem preguiça de combinar cores, sempre anda com um caderno de desenhos, é um grande fã dos já mencionados Ed Wood e Vincent Price, e também de Mario Bava, de quem gostaria de refilmar A Maldição do Demônio, Roger Corman (impossível separar Corman de Price) e Barbara Steele, foi cotado para refilmar O Gabinete do Doutor Caligari e deixou de lado o projeto de um documentário sobre Vincent Price, em decorrência da morte de Price em 1993.

Atualmente, trabalha na pré-produção de mais três filmes: Frankenweenie, Abraham Lincoln: Vampire Hunter e Big Eyes, sendo o segundo baseado em um livro de Seth Grahame-Smith, o mesmo de Orgulho e Preconceito e Zumbis e alguns outros crossovers engraçados. Aguardamos ansiosamente.

Separei três links interessantes relacionados a Tim Burton. Divirtam-se:
Burton @ Empire

Burton @ Harper’s Bazaar

A Origem da Arte Gótica de Tim Burton

Tim Burton @ Museum of Modern Art


La fin de décennie.

“This is your life, and it’s ending one minute at a time.”

Nunca li Palahniuk, confesso, adoro as frases dele e me sinto culpada por não ter lido ainda (mas
ter assistido Fight Club umas 300 vezes). De todos os mindfuck que eu gosto, acho que eu ia adorar  Palahniuk. E essa frase resume muita coisa. Como…

- … No ano passado, estava com uma amiga no vão do Masp fotografando e um cara parou ao nosso lado, perguntando quando tínhamos nascido. 1986, eu disse, “Tigre!”, o cara respondeu, e me deu um papel. Ok, que esse é meu signo no horóscopo chinês eu sei, mas não sabia que esse ano de 2010 era o ano do Tigre. O cara completou com uma pequena descrição “psicológica” dos nascidos de Tigre e disse que esse seria meu ano. Ri, e disse um “ok”, dei uma moeda pro cara, e continuei batendo fotos. Como todo ano, fiz meus planos num papel e colei na agenda. Conforme fui realizando, fui fazendo um risquinho.

Assistir tantos filmes; ler tantos livros; fazer tantas viagens; começar (e terminar) a 2ª faculdade… As quatro viagens planejadas quase duplicaram; os livros lidos também se multiplicam, assim como os filmes (mas acabou que tu não viste nenhum dos latino-americanos e nenhum dos indicados ao Oscar). Mas você conseguiu sair pra fotografar; conheceu pessoas por quem se apaixonou (não num sentido romântico); tomou banho de cachoeira; deu uma de louca e mudou de cidade, para, vinte dias depois, voltar correndo pra casa (“I… I never learn” o cara canta no rádio), e não se arrepender; se apaixonou e achou que tinha encontrado O cara, pra se enganar e que um cara de 25 anos que se gaba de xingar a mãe e não se esforça pra absolutamente nada NÃO PODE ser O cara. Dai passam-se uns dias, você arranca fora a página da sua agenda onde as metas estavam coladas, revoltada, por não ter feito nada de bom no ano. Não conseguiu emprego e, ainda por cima, trancou a faculdade. Imprestável.

Não fez nada? Mesmo? E as pessoas que você conheceu, os shows que foi, as coisas que escreveu, as decisões que tomou, as fotografias que tirou, a forma de pensamento destrutivo e pessimista que decidiu que não ia mais ter, os lugares que conheceu, isso tudo não conta? Esse ano abriu ainda mais minha mente num sentido de “pare de só planejar”, ou “pare de querer que os outros tenham pena de você”, “deixe de ser uma menina mimada que só quer elogios”, “fique em casa vendo filme num sábado à noite”. É certo que minha “velhice” me faz chegar em casa 1h da manhã no sábado à noite. Mas para quem está na rua desde as 18h, tá bom, né? Ainda resta um tempo de ver filme ou ler um pouco. O “ninguém se interessa por você porque você é desinteressante” também sumiu, porque com a quantidade de pessoas que eu conheci que com os atos me fizeram perceber o contrário, não tinha como essa forma de pensamento permanecer.

Em 2011 eu finalmente vou começar a cursar História (não vou mais babar ovo pra historiadores), e vou fazer outras tantas coisas quanto fiz esse ano, mesmo que eu não consiga o emprego, não vou ficar paradinha choramingando e projetando minhas vontades nos outros, querendo namorar um cara de quem eu sinta orgulho ou ser melhor amiga da guria que faz coisas maravilhosas. Eu vou ser a guria que faz coisas maravilhosas, eu vou ser o meu motivo de orgulho (auto-ajuda, aí vou eu). De fato, aqui não tem mais espaço para a frustração e a insatisfação. Insatisfeitos somos sempre, não importa o quanto temos, ganhamos ou fazemos, mas em níveis menores até que se torna aceitável. Não prometo nada, só espero fazer tudo que planejei. E em dobro. E que se aproxime o “fim-do-mundo”.

- … Há dez anos, junto ao “Bug do Milênio” e iminente “O Fim do Mundo” pregado por vários, aos 14 anos, eu começava o colegial num colégio diferente. Eu ouvia metal, logo me enturmei com a turminha dos meninos skatistas porque, apressadinha que sou, logo arrumei um namorado (que até hoje, inferniza minha existência ano após ano, pedindo meu telefone à uma amiga e me ligando no meu aniversário. Esse ano cortei a graça). Eu odiava a escola (claro), me vestia de preto (claro[2]), passava o dia ouvindo música alta, fiquei de recuperação na maioria das matérias, só me interessava por Português (porque eu era gótica dark, e tinha poesia e literatura, né), história, geografia e inglês. Os anos seguintes não foram diferentes, e foram ótimos, mas eu prefiro os 10 anos depois. Tchau, primeira década! :)


Dario Argento

Mestre dos “giallos” (gênero italiano de filmes policiais, o nome vem de “amarelo”, que era a cor das capas dos “pulps” italianos, as novelas policiais) e também do sobrenatural perturbador, Dario aplica a seus filmes toda uma atmosfera de pesadelo e barroco. Até em seus filmes giallo você espera aparecer algo sobrenatural em uma sombra fantasmagórica.
Pai da idolatrada Asia Argento (não só pelo público, mas também por ele próprio), ela também não dispensa uma rasgação de seda pelo pai. Em suas palavras: “Para mim ele é o único diretor italiano que eu realmente admiro, o único com coragem” (desculpa ai, Lucio Fulci).
Argento foi taxado de misógeno, o que ele nega, pois diz ter uma afinidade com o vulto feminino. O motivo? Passou muito tempo no estúdio com sua mãe, que fotografava as “vamps” da época. Dario apenas diz que mulheres são mais interessantes de se matar, e isso se deve a algum fato obscuro a respeito de sua mãe, a brasileira megera, que ele quis exorcizar.
Dario foi um jovem que preferia ficar sozinho com sua imaginação e seus sonhos cercado de livros e “repleto de estranhas aventuras”.
Dario começou sua carreira como crítico de cinema, e atribui à isso o fato de ser “chato” com suas produções. Sua estreia foi ao lado de Sergio Leone e Bernardo Bertolucci, onde escreveu Era Uma Vez No Oeste.
Seu primeiro sucesso solo foi “O Pássaro das Plumas de Cristal”, um giallo, e Dario decidiu que não pararia nesse, e vieram em seguida “O Gato das Nove Caudas” e “Quatro Moscas No Veludo Cinza”.
Seus outros giallos são “Prelúdio Para Matar”, “Tenebre”, que foi uma volta ao giallo, tendo visto que Dario já havia entrado na fase sobrenatural, “Opera”, “Trauma”, com sua filha Asia, “Sonâmbulos”, e o mais recente, com Adrien Brody, “Giallo”.
Dario fez pequenos trabalhos para televisão, como “Door Into Darkness”, uma série, “Do You Like Hitchcock?” e dois episódios da mal-afamada “Masters of Horror”, “Jennifer” e “Pelts”.
No gênero sobrenatural, “Suspiria” abre a lista seguido de sua continuação, “Inferno”. As duas fazem parte da Trilogia das Mães, que só teve fim em 2007, com “A Mãe das Lágrimas”; em seguida, “Phenomena”, com Jennifer Connelly; “Dois Olhos Diabólicos”, inspirado em Poe, em parceria com George Romero; Síndrome de Stendhal, O Fantasma da Opera, ambos com Asia no elenco; e The Card Player. Sem contar os inúmeros trabalhos como roteirista e produtor (foi produtor de Dawn of the Dead original).
Daria Nicolodi, ex-esposa de  Dario e mãe Asia, foi uma de suas principais atrizes, e muitos acreditam que o relacionamento dos dois era retratado nos filmes, e Dario sempre encontrava uma forma brutal de matar sua esposa.
E o que dizer de uma trilha sonora que atormenta mais que Tubular Bells? A parceria de Dario com a banda italiana Goblin reflete isso. A trilha de Suspiria foi feita antes do filme ser rodado, e Dario gostava de reproduzí-la no set de filmagens. BEM ALTO. Em Inferno a trilha foi de Keith Emerson, do trio Emerson, Lake & Palmer e em Opera, onde a trilha sonora foi opera, obviamente, e heavy metal nas cenas de morte. Ah, toca Iron Maiden e Motorhead em Phenomena. E como a dobradinha Dario/Goblin é cultuada na Itália, a banda Rhapsody “incrementou” o tema principal de Phenomena com letra e gravou sob o nome de Queen of the Dark Horizons. Ok, não recomendo.
Dario diz que os momentos que ele mais odeia quando faz filmes são quando está filmando, pois ele se irrita e se sente constrangido. Por que? Misantropia. Contanto que ele não pare tão cedo de fazer bons filmes, pode continuar odiado o que quiser.


Buio Omega

O filme começa com uma mulher espetando uma boneca vodu e outra observando. Logo se descobre que a mulher que observa é uma governanta (Iris) que encomendou o vodu para a namorada do patrão (Frank), um taxidermista (pra quem não sabe, a “arte” de empalhar animais), que estava internada em um hospital.
Como todo bom filme italiano da década de 70, é bem visceral. Sou forte pra filmes assim, mas esse me deixou ligeiramente enojada. Fato que algumas cenas são bem forçadas e nota-se um leve desleixo, é um filme, para espectadores menos acostumados, bem asquerozo.
Uma das primeiras cenas chocantes é do taxidermista empalhando sua namorada morta. Em seguida ele é descoberto por uma garota que invadiu seu carro na estrada enquanto ele trocava um pneu furado. Essa garota acaba morta, desmembrada pela governanta, que o ajuda em todos os seus servicinhos (e em outros mais). A partir disso é morte atrás de morte. Uma prostituta, uma vizinha que corria e nos arredores da mansão onde mora o rapaz e até a própria cunhada dele, que descobre a irmã morta e empalhada e tem um destino parecido.
Não conheço a filmografia de Joe D’Amato, mas os filmes italianos nunca decepcionam. Buio Omega é muito realista: a cena em que Frank tira os órgãos internos de sua namorada para realizar o empalhamento é brutalmente real pois, reza a lenda, foi filmada uma autópsia real em uma aula de anatomia.
Fora as cenas escatológicas, há muita nudez, pois Joe era bem chegado em uma baixariazinha (tendo, no curriculo, filmes como Porno Holocaust e Erotic Nights of the Living Dead), e isso tudo mesclado a cenas românticas de Frank e sua “boneca”, como Iris se refere à namorada morta do rapaz.
Um filme bem produzido para a época e com efeitos simples, porém bem realistas, e bastante criativo quando se trata de escatologia. Recomendado para estômagos de adamantium.

Madame Bovary

Impossível não se comover com Emma Bovary. Antes de ler, aimpressão que temos de Mme. Bovary é que ela é uma tremenda sem-vergonha, e que passa a história toda se deleitando em orgias intermináveis, e é de fato o contrário disso que acontece.
A história começa com um rapaz iniciando os estudos escolares já em idade avançada. Este é Carlos Bovary, o desafortunado marido de Emma. Com o passar dos anos, Carlos se forma na faculdade de medicina e vai exercer sua profissão em outra cidade, e acaba conhecendo Emma, pois tratou de seu pai. Ema é uma jovem recém saida do convento onde estudou no interior da França e amante de literatura, ávida por viver as mesmas aventuras amorosas de suas heroinas preferidas.
Emma e Carlos então se casam, apaixonados, mas esse amor vai se esvaindo, pois Ema acha Carlos muito passivo e mediocre. Emma conhece a vida da alta sociedade, se aborrece com sua vida muito pacata e sem graça, e sonha em participar das rodas da alta-sociedade. Como não o consegue, vai ficando cada vez mais entediada em sua vida monótona ao lado do marido que começa a desprezar. Emma acaba por se apaixonar por outros homens, que trazem um pouco dessa aventura que ela tanto almeja viver.
O que o livro nos traz é, na verdade, uma mulher inconformada com sua posição, e isso é evidenciado em uma passagem onde Ema se encontra grávida e quer que nasça um menino, por com isso ele seria livre dos encargos de se manter preso em casa, podendo viajar e trabalhar. Bovary, após a leitura do livro, se torna uma feminista, mas para os dias de hoje. Na época em que foi publicado, o livro foi considerado uma afronta aos bons costumes e até à religião. O que muitos não sabiam, ou se sabiam fechavam os olhos ao fato, é que Flaubert estava mostrando ao mundo as facetas da alma feminina entediada com o fato de não poder viver aventuras e ter de se manter presa à casa e à família, não podendo alcançar a independência masculina.
Na época em que o livro foi publicado logo foi taxado como imoral e rendeu a Flaubert um processo por “ofensa à moral pública e religiosa”. No julgamento, quando perguntado em quem se inspirou para escrever Madame Bovary, Flaubert respondeu apenas “Madame Bovary, c’est moi” (Madame Bovary, sou eu). Não se sabe se é a verdadeira inspiração para o livro, mas Bovary teve um affair com uma mulher casada, e essa mulher se suicidou.
Para os leitores mais apressados é um livro cansativo: Flaubert é um escritor do realismo, ou seja, é extremamente detalhista, se demora em cada mínima passagem, explicando como estava o tempo, como eram as casas, enfim, tudo muito rico em detalhes.
Não vale a pena passar pela vida sem ler esse livro, por mais entediante que ele possa parecer aos mais preguiçosos. Além de ser um dos clássicos da literatura mundial, nos faz pensar em qual o papel de uma mulher na família e na sociedade. Nós acreditamos, hoje em dia, que essa opressão já acabou. Mas será mesmo? Válido para as almas desassossegadas.

Bathory

Para que é fã de histórias de vampiros (as boas, nada da era Crepúsculo) esse é um nome muito conhecido: uma Condessa Húngara que, para manter-se jovem, banhava-se no sangue de suas vítimas, que eram suas criadas e demais mulheres que ela resolvesse que daria um bom sal de banho. Mas engana-se quem espera um filme repleto de sangue e sadismo, como nos filmes da produtora inglesa Hammer: logo no início, a muito jovem Elizabeth (ou Erzsébet) e o também jovem Conde Ferenc Nadasdy são prometidos em casamento. Com o passar do filme, eles se casam, tem filhos e Nadasdy vai à guerra. São amorosos um com o outro, e Elizabeth é uma boa patroa para com seus criados, a mantém até uma espécie de hospital nas masmorras de seu castelo.
Pelo que conheço da história de Bathory, ela teve um breve relacionamento com um camponês, ficando escondida até seu casamento com Nadasdy, diferente do filme, onde os dois consumam o casamento assim que se casam, e tem flhos. Assim como o filme relata, Nadasdy era soldado e ficava longos períodos em campos de batalha, deixando sozinha Elizabeth. Nesses longos períodos que suas atividades começaram. Era certo que na época de Bathory, o comportamento dos patrões para com seus empregados era no mínimo cruel, mas Bathory se destacava: ela não só os punia por sairem de “suas rédeas”, mas também gostava de vê-los sendo torturados e até mortos, e nisso o filme peca, mostrando uma Elizabeth bondosa que até livrou um jovem frade de ser punido por espionagem porque o reconheceu de sua juventude, quando o curou de machucados causados por um animal selvagem.
No filme, Nadasdy era um bom marido, e até escrevia cartas à sua amada Elizabeth no campo de batalha, em meio à tiros e explosões. Na verdade, não: Nadasdy também era cruel e sádico como sua esposa, e até a ensinou alguns métodos de punição. Após a morte de Nadasdy em 1604, Elizabeth se mudou para Viena, e como companhia, tinha uma curandeira de nome Darvulia, que aparece no filme. Darvulia cuidava de Elizabeth, fazia sua comida e sua bebida, e não a deixava comer ou beber nada que não fosse preparado por ela mesma. Mas Darvulia trai Elizabeth e é mandada à prisão, onde morre pedindo a ajuda de Deus. Darvulia existiu, mas não era uma bruxinha wiccan que faz chás e acende insensos para acalmar a bela Elizabeth, e sim foi a ajudante em vários de seus crimes, vindo a falecer em 1609, muito provavelmente pedindo a ajuda de Satan em vez da de Deus, como no filme.
Não é mostrado, mas após a morte de Darvulia, Elizabeth buscou a ajuda de Erzsi Majorova, viúva de um inquilino seu, e esta foi a responsável pelo seu declínio, encorajando-a a escolher mulheres nobres para serem suas vítimas.
Assim como no filme, Elizabeth foi julgada pelo Conde Thurzo, que foi vilanizado no filme: sua motivação é conseguir o que Nadasdy o prometeu antes de morrer: 1/3 de suas terras. Thurzo faz de tudo para conseguir, desde tentar seduzir Elizabeth à manipular o rei e outros nobres a deporem contra Elizabeth, dizendo que ela tomava banhos com o sangue de suas vítimas. No filme, a bondosa Elizabeth toma banhos de ervas (?). Elizabeth foi julgada 2 vezes, e foi encontrada uma agenda contendo o nome de todas as suas vítimas, nada menos que 650, e todos os nomes escritos pela própria Elizabeth.
Fora os pequenos deslizes e “licenças poéticas” do Eslovaco Juraj Jakubisko, diretor e roteirista, o filme é visualmente muito bonito, em especial para quem gosta de castelos e vestidos pomposos e tudo que a era Medieval teve. Mas não espere uma história muito fiel e não se encante com a bondosa Elizabeth interpretada por Anna Friel (da série Pushing Daisies).

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